25 de junho de 2015

Educar para a felicidade


O que as pessoas mais buscam na vida? O velho Aristóteles foi o primeiro a dar a resposta: a felicidade, mesmo ao praticarem o mal.
A busca da felicidade nasce do desejo, e o desejo deveria estar canalizado para o Absoluto. Mas a cultura consumista que respiramos nos induz a canalizá-lo para o absurdo, e não para o Absoluto. Impinge-nos a falsa ideia de que a felicidade resulta da soma de prazeres – se tomar esta bebida, vestir esta roupa, usar este perfume, possuir este carro, fizer esta viagem, seremos felizes como atores e atrizes da peça publicitária, que exalam exuberante felicidade...
Graças a Deus o mercado não consegue oferecer um produto chamado felicidade. E é impossível saciar o desejo estimulado pela publicidade, e ainda que pudéssemos comprar todas aquelas ofertas, não seríamos necessariamente felizes. Isso gera enorme buraco no coração. E onde parcela da juventude tenta preencher esse buraco? Na droga.
A droga é a consequência óbvia de uma sociedade que mercantilizou a felicidade, e incute nas pessoas a falsa ideia de que ela reside na posse de bens materiais e em situações que exaltam a individualidade, como fama, beleza, poder e riqueza. Quem não alcançar tais ícones, será o mais infeliz ou desgraçado dos mortais.
A felicidade é um estado de espírito. Não costumamos ser educados para alcançar esse estado de espírito, e sim para ser consumistas. São dois seres antagônicos, conflitantes.
Onde, então, encontrar a felicidade? Nos aditivos químicos? Dão, momentaneamente, bem-estar de consciência. Embora não seja durável, é melhor do que se deparar no espelho com esse ser execrável, incapaz de ser feliz, de estabelecer relações com pessoas, natureza, Deus e consigo mesmo.
Ora, a escola tem que colocar, como finalidade, formar pessoas felizes, e não mão de obra qualificada para o mercado de trabalho. Cabe à escola interagir com o contexto em que vivemos.
Uma grande empresa multinacional, de auditoria financeira, abriu em São Paulo 20 vagas para economistas com menos de 35 anos de idade. Apareceram 200 candidatos. Houve uma primeira seleção; sobraram 100.
Ao entrar na sala, às 8h da manhã, o instrutor disse: “Bem-vindos vocês que passaram na primeira seleção, vamos agora à segunda. Antes de iniciarmos os testes, por favor, fiquem de pé todos aqueles que, neste domingo de manhã, não viram, ouviram ou leram noticiário no rádio, na TV, nos jornais ou na internet”.
Mais da metade ficou de pé. “Muito obrigado. Os senhores e as senhoras podem ir embora”, disse o instrutor.
“Mas por quê?”, reagiram alguns.
“Não interessam à nossa empresa profissionais indiferentes ao que ocorre no Brasil e no mundo, desconectados da realidade”.
O papel da educação é conectar educandos e educadores com a realidade, e imprimir às suas vidas o sentido de transformá-las para criar as bases da civilização do amor e da justiça.
Por: Frei Betto

23 de junho de 2015

Você conhece a origem das festas juninas?



          

          Fogueira, bebidas quentes, comidas deliciosas, música, dança e muita animação. Difícil quem não goste de uma boa festa junina. A diversão rola solta e, normalmente, não tem hora para acabar! Muita gente espera ansiosa pelo começo de junho que é quando essas comemorações realmente aparecem por todas as partes.
            Mas você acha que as festas juninas são originárias do Brasil? Aliás, indo mais a fundo, você sabe como elas surgiram? Você tem noção da história por trás dos itens que compõem essas grandes farras que muitos de nós gostamos de participar? Conheça alguns fatos possivelmente desconhecidos e entenda por que essa é uma das festas mais queridas.
              A história
            As festas juninas são mais antigas do que todo mundo pensa! Elas surgiram na Antiga Europa, há centenas de anos. As festas aconteciam durante o solstício de verão para comemorar o início da colheita — por isso tanta comida e bebida — e eram organizadas pelos celtas, egípcios e outros povos. Uma das deusas homenageadas era Juno, esposa de Júpiter, e as festas eram chamadas de “junônias”.
            O catolicismo passou a ganhar cada vez mais fiéis na Europa e a data coincidia com o nascimento de João Batista, primo de Jesus Cristo. A Igreja Católica cristianizou a data, instituindo homenagens aos três santos do mês. As comemorações passaram a se chamar de “joaninas” (por causa de João) e os primeiros países a comemorá-las foram Portugal, Itália, França e Espanha — e até hoje elas são muito importantes no Norte da Europa.
            Não se sabe se o nome “junina” é uma adaptação que veio com o tempo ou se mudou porque a festa é comemorada no mês de junho. Cada um dos países deu o seu toque à festa que conhecemos hoje em dia. Da França veio a dança, de Portugal e da Espanha veio a dança com fitas, entre outras culturas que foram se popularizando.
            A vinda para o Brasil
            Como é de se imaginar, a festa junina foi trazida para o Brasil pelos portugueses durante o período colonial. Por coincidência, os índios que habitavam o nosso país realizavam rituais nessa mesma época de junho para celebrar a agricultura e, com a vinda dos jesuítas, as festas se fundiram e os pratos passaram a utilizar alimentos nativos, como mandioca e milho.
            Tradicionais festas juninas brasileiras
            As festas juninas acontecem em todo canto do país, mas podem ser divididas em dois tipos distintos: aquelas que acontecem na Região Nordeste e aquelas do Brasil caipira (inspiradas nos Estados de São Paulo, região norte do Paraná, região sul de Minas Gerais e Goiás). Elas possuem diferenças e costumes bem diferentes.
            As mais tradicionais acontecem em Campina Grande (PB) e Caruaru (PE) e existe uma pequena rivalidade entre os dois Estados para ver qual delas é a melhor. Na Paraíba, a festa é conhecida como Forródromo que, como o nome sugere, é regada a muito forró. Entre as principais atrações está um desfile de jegues.
            Já Pernambuco tem a Vila do Forró, que é uma réplica de uma pequena cidade do sertão pernambucano. É possível fazer uma viagem até Recife pelo Trem do Forró onde cantadores regionais, sanfoneiros e artistas de todos os tipos transitam por entre os vagões, alegrando o público e ganhando um dinheirinho extra nessa época do ano.
            As festas do Brasil caipira são realizadas em quermesses com danças de quadrinha em torno da fogueira e, como não pode deixar de ser, com muita música caipira. Em todos os lugares, as mulheres usam vestidos coloridos de chita e os homens vestem camisa quadriculada e calças remendados com tecidos também cheios de cores.
            Os três Santos
            Santo Antônio, São João e São Pedro
            Santo Antônio é o primeiro dos santos a ser homenageado no mês. Sua festa é comemorada no dia 13 de junho e ele é conhecido como o santo casamenteiro, já que ajudava as moças do século XII a conseguir o dote para realizar o tão sonhado casamento. Diversas simpatias são realizadas por mulheres que querem um namorado, noivo ou marido.
            O dia de São João é o mais esperado de todos eles. A festa é realizada no dia 24 de junho e, nesse dia, existem muitas festas pelo Brasil, principalmente no Nordeste. João era filho de Isabel, prima de Maria (mãe de Jesus). Segundo a Igreja Católica, foi ele quem preparou a vinda de Cristo e batizou-o no rio Jordão.
            O último santo do mês é São Pedro. Ele era um dos pescadores discípulos de Jesus e também conhecido como o fundador da Igreja Católica. O catolicismo prega que é Pedro quem tem as chaves do céu. Sua festa é comemorada no final do mês de junho, no dia 29. Com ele, encerra-se as festividades desse mês tão celebrado.
            A fogueira
            A fogueira é um dos maiores símbolos das festas juninas
            Assim como a maioria dos elementos de uma festa junina, existem dois significados para a famosa fogueira. Nas festas pagãs e indígenas, elas eram feitas para espantar os maus espíritos. Já na tradição cristã, ela tem uma explicação: Isabel teria dito à Maria (mãe de Jesus) que acenderia uma fogueira para avisá-la do nascimento de seu filho (João). Maria viu as chamas de longe e foi visitar a criança que tinha acabado de nascer.
            Hoje, por questão de segurança, elas também só são feitas em poucas cidades do interior, já que também não são permitidas nas grandes quermesses para que se evite incêndios e acidentes causados pelas chamas. Mas o símbolo está sempre presente quando pensamos nas festas juninas.
            Delícias Juninas

            Difícil não ficar com fome em uma festa junina. Milho cozido (ou assado), pipoca, bolo de fubá cremoso (ou de milho), maçã do amor, pé-de-moleque, vinho quente, quentão, arroz-doce, canjica, chá de amendoim e muitas outras delícias (normalmente quentinhas, porque essa época do ano é bem fria) são a alma da festa.
            Reparou que muitas comidas são derivadas do milho verde? Isso se deve ao fato de que junho é a época propícia para a colheita do alimento e essa tradição está presente nas festas juninas desde que ela chegou ao Brasil. Outros grãos — como o amendoim — e raízes — como a mandioca — também marcam presença nas comemorações de junho.

Por Tatiana do Amaral Ribeiro

16 de junho de 2015

Como Jesus ressuscitou ao terceiro dia se ele morreu na sexta-feira à tarde e ressuscitou domingo de manhã?


Estou bem confuso com uma questão bíblica. Estava estudando mais a fundo a morte e ressurreição de Cristo e me deparei com uma dúvida que não consegui resolver até agora. Como Cristo pode ter ressuscitado ao terceiro dia se ele morreu na sexta-feira, no final da tarde, e ressuscitou no domingo pela manhã?


Caro leitor, essa é uma questão bem interessante. Vamos analisar juntos os fatos para encontrarmos a resposta que você deseja, fazendo uma pequena cronologia da morte e ressurreição de Cristo.
(1) Jesus foi preso e levado perante Pôncio Pilatos antes da comemoração da páscoa judaica; antes do meio dia da sexta-feira foi o horário em que Jesus foi condenado e iniciou a sua caminhada até o Calvário (João 19:14). Em Lucas 23:44-46 e em Marcos 15:33-34 vemos registrado que a morte de Jesus se deu por volta da hora nona, ou seja, por volta de três horas da tarde. Vemos também que os judeus que acompanhavam a crucificação não queriam que os corpos (de Jesus e dos ladrões crucificados ao lado dele) ficassem ali na cruz por muito tempo para não atrapalhar a festa da páscoa a ser realizada no outro dia, no sábado, solicitando as autoridades que fossem tirados dali (João 19:31).
(2) Em João 20.1 vemos Maria Madalena indo até o sepulcro no primeiro dia da semana, domingo, e Jesus não estava lá, havia ressuscitado. Sendo assim, fica claro na Bíblia que Jesus morreu por volta das três da tarde da sexta-feira e ressuscitou em algum horário na manhã do domingo.
(3) Podemos constatar que Jesus antes de sua morte já havia revelado aos seus discípulos que ressuscitaria no terceiro dia: “Desde esse tempo, começou Jesus Cristo a mostrar a seus discípulos que lhe era necessário seguir para Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto e ressuscitado no terceiro dia” (Mateus 16:21). Em todos os quatro evangelhos vemos registrado a fala de que Jesus ressuscitaria ao terceiro dia (Mateus 20:19; Marcos 10:34; João 2:19).
(4) A explicação para essa aparente contradição é que Jesus ressuscitou “ao terceiro dia” e não “três dias depois de sua morte”, o que implicaria que ele ficasse morto por 72 horas. Era muito comum aos judeus considerar partes de um dia figuradamente como um dia completo. Por exemplo, no livro de Ester 4:3, vemos registrado que foi levantado um jejum por “três dias e três noites”, ao fim do qual Ester se apresentaria perante o Rei para suplicar pelos judeus. Porém, vemos ali que eles começaram o Jejum já com o dia em andamento e que Ester foi à presença do rei “ao terceiro dia” (Ester 5:1), logo, esse período de Jejum não foi de 72 horas completas. Da mesma forma as palavras de Jesus de que ressuscitaria ao terceiro dia seguiram esse mesmo esquema.
(5) Então, para entendermos bem, ficou dessa forma: Jesus morreu na sexta-feira (primeiro dia), passou-se o sábado (segundo dia), chegou o domingo (terceiro dia). Daí, então, os escritos dizerem que Jesus ressuscitou “ao terceiro dia” e não “três dias depois de sua morte”. Dessa forma, não encontramos contradições na Bíblia com referência a esse fato.

 Matéria de  André Sanchez


15 de junho de 2015

Esclarecendo a Polêmica: Jesus teve irmãos?

Para entrar nesse assunto é bom sempre lembrar que Jesus foi o primogênito e o unigênito da família de Nazaré. Quanto aos “supostos irmãos de Jesus” a Bíblia não os mencionam como “filhos de Maria”. Somente o Mestre é chamado “filho de Maria”, com o artigo no original (Marcos 6,3).

Antes de aprofundar este tema, é bom lembrar 05 pontos fundamentais:
Primeiro – se Jesus teve irmãos, porque Maria é chamada “Mãe de Jesus?”  e nunca mãe do “irmãosde Jesus?”
Segundo – A família de Nazaré aparece apenas com 03 pessoas. Jesus, Maria e José.
Terceiro – porque seus pais iam todos os anos a Jerusalém para a festa da páscoa e Jesus nunca aparece ao lado dos “supostos irmãos?”
Quarto – Porque Jesus entrega sua mãe aos cuidados de João o Evangelista, e não aos “supostos irmãos?”
Quinto – porque esses “supostos irmãos” não aparecem na crucificação de Jesus?
 A Bíblia deixa bem claro, quando se trata de um filho, e quem são os pais. Para entender melhor citemos alguns textos:

No Antigo Testamento

“Adão conheceu outra vez sua mulher, e esta deu à luz um filho, ao qual pôs o nome de Set, dizendo, Deus deu-me uma posteridade para substituir Abel, que Caim matou”. (Gênese 4, 25)
“Então falou Deus a Noé, sai da arca, com tua mulher, teus filhos e as mulheres de teus filhos” (Gênese 8, 15-16)  Confira mais em: (Gênese 5,1-32) (Gênese 10, 1-32) (Gênese 11, 10-32) onde se fala de filhos e filhas.

No Novo Testamento

“Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados” (Mateus 1, 21).
“Senhor, tem piedade de meu filho, porque é lunático e sofre muito: ora cai no fogo, ora cai na água...” (Mateus 17,15). 
“Respondeu um homem dentre a multidão: Mestre, eu te trouxe meu filho, que tem um espírito mudo” (Marcos 9,17). 
“Ao chegar perto da porta da cidade, eis que levavam um defunto a ser sepultado, filho único de uma viúva; acompanhava-a muita gente da cidade” (Lucas 7,12). 

Porque tinha uma filha única, de uns doze anos, que estava para morrer. Jesus dirigiu-se para lá, comprimido pelo povo” (Lucas 8,42).
Em centenas e centenas de textos Bíblicos, fica muito claro, onde se fala de filhos e de pais, e os protestantes afirmam por paus e pedras que, Jesus teve irmãos. Para isso se baseiam em (Marcos 6,3) “Por acaso não é ele o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, José, Judas e Simão?”.

Explicação:

A palavra irmão, aqui tem o significado de “primo ou parente próximo, pois a língua hebraica não possui a palavra primo”.
- Quem eram Tiago, José, Judas e Simão?
Explicação: A mãe de Jesus tinha uma parente que se chamava também Maria, casada com Cleófas.
- De fato lemos na Bíblia: “Perto da cruz de Jesus, permanecia de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas.”    (João 19,25)
- Tiago e José eram filhos de Cléofas com a parente de Nossa Senhora, que se chamava Maria.
- logicamente Judas era irmão de Tiago. De fato lemos: “Judas, irmão de Tiago” (Judas 1 e Lucas 6,16) todos eles eram primos de Jesus, ou parentes próximos, como Simão pelo mesmo motivo.
Há muitos exemplos na Bíblia em que os parentes próximos são chamados de irmãos: “Disse Abraão a Lot: Peço-te que não haja rixas, pois somos irmãos.” (Gênesis 13,8) - Abraão não era irmão de Lot, mas tiio.
- “Eleazar morreu e não teve filhos, mas filhas e estas se casaram com os filhos de Cis, seus irmãos.” (1 Crônicas 23,22) - As filhas de Eleazar eram primas dos filhos de Cis.
- Ver também: (Êxodo 2,11) (Mateus 23,8) (Gênesis 9,6) (Mateus 5,21-22) (1 Coríntios 15,6).
Respondendo Objeções
1ª  Objeção: os “Irmãos de Jesus”. É assim que a Bíblia se refere nominalmente a quatro pessoas: Tiago, José, Judas e Simão (Marcos 6,3). Eles seriam, irmãos carnais de Jesus, concluem os protestantes.
No entanto, nada mais falso, pois três desses “Irmãos de Jesus”, têm seus pais nomeados na Bíblia. Vejamos: o 1º é Tiago. É ele, segundo (Gálatas 1,19), Tiago Apóstolo, o Menor (Marcos 15,40), cujo pai é Alfeu (Mateus 10,3); o 2º, José, é irmão carnal de Tiago, pois ambos são filhos de uma das três Marias que estiveram ao pé da Cruz (Mateus 27,56), e cujo irmão pai é também Alfeu; o 3º é Judas, o Tadeu, que também é irmão de Tiago (Judas 1,1). Seu pai é também Alfeu. São Lucas o chama “Judas de Tiago” ou seu irmão (Lucas 6,16).
O último da lista é Simão, cujos pais não têm os nomes expresso na Bíblia. Mas o historiador Hegezipo (sec. II), informa que ele é filho de Cléofas, esposo de “Maria, irmã da Mãe de Jesus” (João 19,25). Ele é, pois, primo de Jesus. E se Cléofas e Alfeu são nomes em hebraico e aramaico da mesma pessoa, como pensam muitos, os quatro chamados “irmãos de Jesus” são entre si, irmãos carnais. Em qualquer hipótese eles são primos ou parentes de Jesus.
De fato, é muito comum na Bíblia, parentes próximos serem chamados de irmãos. É só conferir (Gênesis 13,8) comparado com (Gênesis 12,5 e 11,28-31) (Gênesis 29,13 e 15) (Levítico 10,4) (1 Crônicas 23,22) etc.
2ª Objeção: ela é tirada do título de “primogênito” atribuído a Jesus em Lucas 2,7. Daí concluem os protestantes que Maria teve outros filhos além de Jesus.
Isso revela grande ignorância, pois “primogênito” é termo jurídico da Bíblia que tem significado bem determinado: é o primeiro filho, quer venha outro, quer não. Não se esperava por outro filho para que o 1º fosse tido e tratado como primogênito a vida toda.

Confirma isto o túmulo, recém-descoberto, de uma judia do 1º século, com a inscrição: “Aqui jaz Arsinoé, morta ao dar à luz o seu primogênito”.

3ª Objeção: é tirada de (Mateus 1,25), onde se lê: “E José não a conheceu até que ela deu à luz. . .” os protestantes concluem que a conheceu depois.

Mais uma vez outra falsa conclusão. Parece desconhecerem que a expressão “até que” é, na Bíblia, um hebrismo que significa “Sem que”, invertendo-se os termos da frase. Significa, então, que Maria “deu á luz sem que José A tivesse conhecido”, e nada mais.

São incontáveis os exemplos disso na Bíblia. Eis apenas um: “O coração do justo está firme e não temerá “até que” veja confundidos os seus inimigos” (Salmos 111,8). Ora, se não temeu antes, não temerá depois. O sentido é: “os inimigos serão confundidos sem que o coração do justo tema”. Assim Mateus quis apenas afirmar que “Maria concebeu sem participação de José”. Conferir na Bíblia outros casos desse modo de falar: (Deuteronômio 7,24) (Sabedoria 10,14) (Salmos 56,2 71,7; 93,12-13; 109,1) (Isaias 22,14) (Mateus 5,18 22,44) (Hebreus 1,13; 10,12-13; etc.)

4ª e última objeção: é tirada de (Mt 1,18) onde se lê que Maria concebeu do Espírito Santo “antes que coabitassem”. Os protestantes concluem erradamente que conheceu depois.

Isso porque eles não se importam com o contexto literário e histórico da Bíblia. E tomam, no caso, “coabitar” no sentido de relação carnal, quando, pelo contexto, e pelo modo como os judeus se casavam, só cabe o sentido de “morar juntos”.
De fato, o casamento dos judeus era feito em duas etapas: a 1ª se realizava na casa dos pais da moça em cerimônia simples. Marcavam-se então as núpcias festivas - era a segunda etapa - na qual a esposa era levada para a casa do esposo. Era esta a coabitação (morar juntos), de que fala o evangelista no citado texto. Foi entre essas duas cerimônias que se deu o mistério da Encarnação.

Conclusão

Segundo a Bíblia, a Tradição e o Magistério da Igreja, Maria teve um único filho, e disso, nós temos certeza.

Por: Jaime Francisco de Moura

19 de março de 2015

O carpinteiro de Nazaré


Muitos são os “ventos doutrinários” que balançam “o pequeno barco da humanidade”, impedindo-o de enxergar o Deus escondido no pobre carpinteiro.
Deus feito carne. Esse é Jesus, o filho do carpinteiro, a quem alguns fariseus lançam olhares de dúvida e de suspeita, como se estivessem a tratar com algum charlatão ou sujeito de índole perigosa (cf. Mt 13, 54-58). De fato, há de repetir-se inúmeras vezes, Cristo é o messias “inesperado”, aquele que entra na cidade santa, montado em um pequeno jumento, despido de qualquer pompa ou ornamento cintilante. E, no entanto, é rei. Ele não vem com o chicote, pronto a levantar guerra contra o Estado, também não vem matar a fome, tampouco instaurar uma nova ordem política. Ele vem para nos mostrar a face de Deus. Tudo o mais — a paz, o amor, a libertação — é fruto desta realidade: o Deus que, fazendo-se carne de nossa carne, sangue de nosso sangue, vem habitar no meio de nós, a fim de dar cumprimento ao “o ano da misericórdia do Senhor, um dia de vingança para o nosso Deus” (Lc 4, 19).
 Deus — que também é vingança — não consiste na banalização do mal, “não é uma graça barata” [1], por assim dizer, em que tudo encontra a sua justificação sem arrependimento. Consiste, ao contrário, no Deus que vem sofrer na pele as dores da humanidade, mormente as chagas provenientes do pecado, que arrastam o homem para o campo de concentração do demônio: o inferno. Trata-se da paixão de Cristo. A vingança de Deus é, portanto, a sua morte e ressurreição, a vitória sobre o plano diabólico, trazendo à luz a beleza da verdade e o rosto destrutivo do príncipe das trevas. Deus vinga-se com a luz. Ele desmascara a mentira do demônio com Seu próprio sangue, lavando nossos olhos e libertando-nos da cegueira espiritual, tal qual fez com o cego Bartimeu: “Vai, a tua fé te salvou” ( Mc 10, 52).
Salvos pela graça de Deus, tornamo-nos propriedade d’Ele, posto que deixamos de ser escravos do demônio para habitarmos na casa do Senhor. No batismo, somos introduzidos no Corpo de Cristo, de sorte que, a partir deste momento, devemos “viver, trabalhar e morrer para produzir frutos para o homem-Deus, glorificá-Lo em nosso corpo e fazê-Lo reinar em nossa alma” [2]. Existe uma vocação específica e, a um só tempo, universal para todos os cristãos, que culmina, de um modo ou de outro — dependendo de cada chamado — para a santificação dos homens. Diz-nos São Luís Maria Grignon de Montfort:

 “Jesus Cristo que receber alguns frutos de nossas mesquinhas pessoas: quer receber nossas boas obras, porque as boas obras lhe pertencem exclusivamente: ‘Creati in operibus bonis in Christo Iesu – Criados em Jesus Cristo para as boas ações" (Ef 2, 10).” [3]


Contudo, numa época em que a ameaça do mal parece se enraizar no coração do homem de tal maneira, que se põe em perigo até mesmo a sobrevivência da espécie, torna-se cada vez mais difícil encontrar um coração solícito à graça de Deus e às suas responsabilidades. Recorda-nos São Josemaria Escrivá, as crises mundiais que enfrentamos não são outra coisa, senão crise de santos [4]. Como nos dias em que Cristo pisou neste chão, ainda em nossa época existem os fariseus que O cobrem com olhares de suspeita e receio: “Não é o filho do carpinteiro?” Assim, diz-nos as Sagradas Escrituras, “o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça” (Mt 8, 20), porque o coração do velho Adão se encontra ocupado pelas seduções dos ídolos: a tentação de substituir Jesus por algum conceito próprio, uma ideia original, com a qual me sinto realizado e bem-sucedido.
As causas desta nova espiritualidade sem Deus são muitas: vêm desde um egocentrismo desmedido — em que somos reduzidos a meros objetos de consumo — a um projeto político, que nos torna massa de manobra para fins ideológicos — iguais aos que varreram o planeta nos dois últimos séculos. Jesus não tem onde repousar a cabeça, pois muitos são os “ventos doutrinários” que chacoalham “o pequeno barco do pensamento de muitos cristãos”, jogando-o de um extremo ao outro [5].
Por outro lado, Jesus não deixa de estender-nos a sua mão: “Aí onde estão nossos irmãos, os homens, aí onde estão as nossas aspirações, nosso trabalho, nossos amores — aí está o lugar do nosso encontro cotidiano com Cristo” [6]. E é isto que nos torna Seus discípulos: a fé no Deus que é vivo e apresenta-se a nós com vestes de um pobre e humilde carpinteiro de Nazaré.

Referências

  1. Cardeal Joseph Ratzinger, Homilia na Santa Missa “Pro Eligendo Romano Pontifice”, 18 de abril de 2005
  2. São Luís Maria Grignon de Montfort, Tratado da Verdadeira Devoção à Virgem Santíssima, n. 75
  3. Idem
  4. São Josemaria Escrivá, Caminho, n. 301
  5. Cardeal Joseph Ratzinger, Homilia na Santa Missa “Pro Eligendo Romano Pontifice”, 18 de abril de 2005
  6. São Josemaria Escrivá, Homilia pronunciada no campus da Universidade de Navarra, 8 de outubro de 1967


22 de fevereiro de 2014

Quais as diferenças entre as Bíblias católicas e protestantes ?


A Bíblia não é um livro, como alguns acreditam, mas uma biblioteca completa. Toda a Bíblia é composta de 73 livros, alguns dos quais são bastante extensa, como o profeta Isaías, e alguns são mais curtos, como o profeta Abdias.
Esses 73 livros são distribuídos de tal forma que o Antigo Testamento (AT) possui 46, e o Novo Testamento (NT) 27 livros.
Ocasionalmente caí em nossas mãos uma Bíblia protestante, e temos a surpresa de perder sete livros, dos quais apenas tem 66 livros.
Este vácuo é no Antigo Testamento e devido à ausência dos seguintes livros: Tobias, Judite, 1 Macabeus , 2 Macabeus , Sabedoria , Eclesiástico e Baruc .
Por que essa diferença entre a Igreja Católica e a Bíblia Protestante?
É um problema histórico- teológica muito complexa. Resumindo muito, tentar responder a esta pergunta.
Primeiro vamos explicar como a coleção de livros sagrados do Antigo Testamento em o povo judeu foi formado. E, em seguida, ver como os cristãos aceitaram os livros do Antigo.
Testamento junto com livros N. T. para formar a bíblicos completa.
A antiga comunidade judaica da Palestina.
Em tempos de Jesus Cristo, vemos que o povo judeu na Palestina só aceitou o AT e eles ainda não tinham definido a lista de seus livros sagrados, ou seja, manteve aberta a possibilidade de adicionar novos documentos para a coleção de livros inspirados.Mas por um longo tempo por volta do ano 600 aC , com a destruição de Jerusalém e do desaparecimento do Estado judeu , a preocupação latente oficialmente restringir a lista de livros sagrados . Quais são os critérios utilizados pelos judeus para definir esta lista de livros sagrados? Deve ser livros sagrados em que a verdadeira fé de Israel foi reconhecida, para garantir a continuidade desta fé nas pessoas. Havia várias cartas que parecia duvidosa em matéria de fé, e até mesmo perigosa, por isso eles foram excluídos da lista oficial. Também aceito apenas livros sagrados escritos originalmente em hebraico (ou aramaico). Escrito em livros religiosos gregos foram rejeitadas por ser muito recente, ou livros de não judeus. (Este último é muito importante porque existe então o problema da diferença de livros).
Então, definiram uma lista de livros religiosos que eram verdadeira inspiração divina e entraram na coleção das Escrituras. “Nesta lista oficial dos livros inspirados, com o tempo, o nome “Canon” ou “Obra-padrão”. “A palavra grega Canon significa regra, padrão, e significa que os livros canônicos refletem a regra de vida”, ou “ regra de vida " para aqueles que acreditam nesses escritos . Todas as escrituras foram escritos originalmente em hebraico - aramaico.
Os livros religiosos escritos em grego não entrar no cânon , mas foram chamados de " apócrifos ", " apócrifos " (oculto) porque eram doutrinas duvidosas e foram considerados " fonte secreta " .
No primeiro século d.C. ( no ano de 90 dC), a comunidade judaica na Palestina havia chegado a reconhecer na prática 39 livros inspirados como oficialmente .
Esta lista dos 39 livros do HV é chamado de " Canon da Palestina " ou " Canon de Jerusalém. "
A comunidade judaica de Alexandria
Simultaneamente havia uma comunidade judaica em Alexandria no Egito. Foi um grande assentamento judaico fora da Palestina, como tinha mais de 100.000 israelenses. Os judeus no Egito já não entenderam hebraico, porque há muito tempo aceitou o grego, que era a língua oficial em todo o Oriente Próximo. Em suas reuniões religiosas em suas sinagogas , eles usaram uma tradução das Escrituras Hebraicas para o grego foi chamado de " um dos Setenta ". De acordo com uma antiga lenda esta tradução “dos Setenta” tinha sido feito quase milagrosamente por 70 estudiosos (entre 250 e 150 a.C. ) .
A tradução grega Septuaginta manteve os 39 livros que tiveram a Canon da Palestina (cânon hebraico), além de sete outros livros sobre o grego. Assim, o famoso “Canon Alexandrina" foi formada com um total de 46 livros sagrados.
A comunidade judaica da Palestina nunca olhou favoravelmente sobre esta ao contrário de seus irmãos alexandrinos, e os sete livros rejeitados por terem sido originalmente escrito em grego e os livros foram adicionados mais tarde.
Era uma realidade que, no nascimento do cristianismo, houve dois grandes centros religiosos do judaísmo: de que Jerusalém (Palestina) e Alexandria (Egito). Em ambos os lugares havia autorizado os livros do Antigo Testamento: 39 livros em Jerusalém (em hebraico - aramaico), em Alexandria 46 livros (em grego).
Os primeiros cristãos e os livros sagrados do Antigo Testamento
O cristianismo começou como um movimento religioso dentro do povo judeu. O próprio Jesus era judeu e não rejeitou os livros sagrados de seu povo. Também os primeiros cristãos tinham ouvido dizer que Jesus “_Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim abrogar, mas cumprir”(Mt. 5, 17). Nós, cristãos, também reconhecemos  como livros inspirados de textos do Antigo Testamento usado pelos judeus .
Mas eles estavam em apuros. Se eles usam a curto cânone da Palestina , com 39 livros, ou cânon alexandrino , juntamente com 46 livros ?
Na verdade, por causa da perseguição dos cristãos , o cristianismo se espalhou principalmente fora da Palestina, pelo mundo grego e romano . Pelo menos em sua forma final, como nos livros do NT textos foram citados ( Mais de 300 vezes) , naturalmente citado em grego , desde Canon Alexandria.
Era o mais lógico, portanto, que os primeiros cristãos tomaram este grego alexandrino Canon, para os mesmos destinatários que deve levar a palavra de Deus todos falavam grego. Por isso, aceitou o cristianismo, desde o início, na versão grega do Antigo Testamento 46 livros.
A reação dos judeus contra os cristãos
Os judeus consideravam os cristãos como hereges judaísmos. Eles não gostaram de tudo o que os cristãos vão usar os livros sagrados do Antigo Testamento E pior, as profecias do Antigo Testamento os cristãos indicaram para justificar a sua fé em Jesus de Nazaré. Os cristãos também começaram a escrever novos livros sagrados: o Novo Testamento.
Foi por isso que os judeus resolveram fechar definitivamente o cânon dos livros sagrados. E em reação contra os cristãos, que usavam longo Canon alexandrino com 46 livros do Antigo Testamento, os judeus escolheu Palestina breves Canon 39 livros .
Sete gregos alexandrinos livros do Canon foram declarados como livros “apócrifos” e sem inspiração. Esta foi a decisão tomada pelos líderes do judaísmo, no ano 90 d.C. , e oficialmente proclamada a Canon judaica de seus livros sagrados .
No meio dos cristãos, por sua vez, seguiu o costume de usar os 46 livros do Antigo Testamento, como livros inspirados Ocasionalmente houve algumas vozes dissidentes dentro da Igreja que queriam impor a Canon oficial dos judeus com os seus 39 livros. Mas vários conselhos, dentro da Igreja, definiram que os 46 livros do Antigo Testamento são realmente inspirado e livros sagrados.
O que aconteceu com a Reforma?
Em 1517 Martin Luther rompeu com a Igreja Católica. Entre as muitas alterações introduzidas para formar a nova igreja foi tomando breve a Canon dos judeus da Palestina, que tinha 39 livros para AT, algo muito estranho porque foi contra uma longa tradição da Igreja, que vem desde os apóstolos. Cristãos há mais de 1.500 anos, os livros sagrados estavam entre os 46 livros do Antigo Testamento.
No entanto, Lutero não aceitou sete livros escritos em grego e não incluídos na língua hebraica.
Nesta situação, os bispos de todo o mundo reuniram-se no famoso Concílio de Trento e definitivamente definiram o cânon das Escrituras 46 livros para AT e 27 para o N.T.
Mas muitas seitas protestantes e nascidos deles começaram a usar o Canon de judeus da Palestina, que tinha apenas 39 livros do Antigo Testamento.
Por isso as diferenças entre as Bíblias católicas e evangélicas.
 Os livros canônicos
Os sete livros da VT escritos gregos têm causado muitas discussões. A Igreja Católica deu estes sete livros chamados "livros deuterocanônicos " . A palavra grega " deutero " significa Segundo. Assim, a Igreja Católica declara que os livros são segunda aparição na Canon ou na lista oficial dos livros do Antigo Testamento porque eles vieram em um segundo tempo para fazer parte da Canon.
Os outros 39 livros do Antigo Testamento, escrito em hebraico, são chamados de “livros prontos.”  A palavra " proto " significa " primeiro ", já que desde o início, esses livros formaram o AT Canon
Em 1947, os arqueólogos descobriram em Qumran (Palestina) e encontrou os escritos antigos, incluindo livros de Judith, Baruc , Eclesiástico e 1 Macabeus foi originalmente escrito em hebraico, e o livro de Tobias em aramaico. Isso significa que apenas os livros da Sabedoria e 2 Macabeus foram escritos em grego . Portanto, o argumento de não aceitar estes sete livros a serem escritos em grego não é mais válido. Além disso, a Igreja Católica nunca aceitou esse argumento.
Considerações Finais
Afinal de contas, percebemos que esta questão sobre os livros, é uma questão histórica e teológica muito complexa, e diferentes interpretações e avaliações. No entanto, é claro que a Igreja Católica sobre este ponto, tem uma base histórica e doutrinária, bastante razoável, apresenta-a como a mais segura.
No entanto , uma vez que Lutero tomou a decisão de não aceitar a tradição da Igreja Católica, todas as igrejas protestantes rejeitaram os livros deuterocanônicos como livros inspirados e declarou estes 7 livros como livros " apócrifos " .
Nos últimos anos , a partir de muitos protestantes , uma atitude mais moderada em relação a esses 7 livros e até Bíblias ecumênicas são editados com Livros Deuterocanônicos.
Na verdade, eles passaram a compreender que certas doutrinas bíblicas, como a ressurreição dos mortos, o tema dos anjos, o conceito de remuneração, a noção de purgatório, já começam a aparecer nestes sete livros posteriores. Pelo fato de que ele apagado esses livros perceber que há um grande salto para o NT (Mais ou menos uma hora 300 anos sem livros de inspiração). Mas esses sete livros gregos revelam um belo link para o NT Os ensinamentos desses escritos mostram uma maior harmonia em toda a Revelação Divina na Bíblia.
Para esta razão, que você vê algumas Bíblias protestantes, no final, incluir os sete livros, mas com um valor secundário.
Que Deus possa apressar o dia em que os protestantes possam aceitar definitivamente a importância da Palavra de Deus, e retornem à unidade um dia foi perdida, assim eu rezo!